Piuí, piuí, poire, poire...


Música alta, mulherada bonita, luzes psicodélicas. O cheiro enjoativo e penetrante da fumaça artificial.

Tromba com um, tromba com outro, passa a mão em uma, um passo pra trás, três pro lado. Mira o bar.

-Uma cerva...

Volta pra pista. Ensaia uma dança. Desiste. Não dá... Ridículo!

Loirinha, vestido vermelho, dançando de olho fechado. Tá "high".

Morena, bonitinha, baixinha, blusa cinza, shortinho jeans naquele frio? Bote certo.

-Oi, como tu chama?

-Meu namorado tá atrás de você?

-Quê?...

Um soco. Dois, sangue. Hora de reagir. Um soco, errou. Outro, direto na cara!

Dois seguranças, corro pras escadas, não, não, tem outro lá.... janela?! Janela!

Sangue, estilhaços, mais sangue...

Três, dois, um, CHÃO!

-Ei, ei, tudo certo com você?!

-Rápido, uma ambulância!!!

-Jesus amado! Esse moço ta morrendo!!!

-Rápido! Alguém liga pra ambulância!!!

_______________________________________________________________________________

...na, bonitinha, baixinha, blusa cinza, shortinho jeans naquele frio? Bote certo.

-Oi, como tu chama?

-Meu namorado tá atrás de você?

-Quê?...

Armou o soco...

-Calma brother, tava só conversando... foi mal...

3:45 = Cine Gala na Globo.

_______________________________________________________________________

...inha, vestido vermelho, dançando de olho fechado. Tá "high".

Morena, bonitinha, baixinha, blusa cinza, shortinho jeans naquele frio? Bote certo.

-Oi, como tu chama?

-Juliana...

-Prazer, Pedro.

Beijo, amasso no canto.

-Vamo pra minha casa?!

-Vamos... você tá de carro?

-Vou chamar um táxi...

Entram os dois no carro. Mais beijo. Mais amasso.

 

Pedro Melo



Escrito por Marcelo e Pedro às 23h12
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Atenção senhores passageiros, em instantes estaremos iniciando o procedimento de decolagem. Por favor, prendam seus cintos e observem cuidadosamente às instruções emergênciais.

-Senhor?

-Sim?!

-O senhor está sentado próximo a uma saída de emergência, caso o senhor não se sinta apto a operá-la em caso de uma eventual emergência, ficarei feliz em alternar seu assento com outro passageiro.

(Caso não me sinta apto?! Trocar meu assento com outro passageiro? E por que esse "outro passageiro" seria mais apto que eu?! Ele é mais forte por acaso?! Tem mais cordenação motora?!)

-Não, obrigado, eu sou suficientemente "apto" a manejar esse troço...

-Claro senhor, perdão.

Tripulação, iniciar procedimento de decolagem.

Senhores passageiros, nesse momento estaremos inciando o processo de decolagem, por favor, mantenham seus cintos atados, o encosto da poltrona na posição mais desconfortável possível, e suas mesinhas travadas. Lembra-mos que a partir desse momento é proibido o uso de qualquer aparelho eletrônico, até que o sinal de desatar os cintos se apague.

-Com licença?

-Sim?

-Quantas pessoas estão nesse avião?

-Senhor, eu teria que confirmar com o piloto, mas acredito que por volta de 350... Por que?

-Uhm... nada, apenas... curiosidade...

(Meu Deus! 350 pessoas?! Isso significa que, se esta banheira cair e eu  não for rápido o bastante, estarei levando comigo mais 349 almas! Talvez o "outro passageiro" devesse assumir essa responsabilidade... talvez eu não seja apto... Cadê o botão pra chamar o comissário?! Não, não, calma, onde ficam aqueles encartes explicativos?! Aqui, aqui... ok... agora, como eu abro essa porta?! Temos uma barra vermelha gigante, uma parte de plástico... Meu Deus! Eu não vou conseguir! Vamos todos morrer, e a culpa é minha!)

-COM LICENÇA!

-Senhor! Algum problema?!

-Não, perdão, não era minha intenção gritar... Eu estava apenas pensando... talvez... existe alguma porta de emergência em que eu possa treinar... você sabe... o procedimento de abertura... em caso... você sabe...

-Senhor, fique tranqüilo, sou comissária de bordo há 6 anos, e nunca, ninguém precisou abrir esta porta... e, cá entre nós, não acho que hoje será a primeira vez. Além do mais, faltam apenas 2 horas de vôo... O senhor pode ficar tranqüilo. Aqui, tome um desses.

-Obri - Glup - gado...

...

(Senhoras e senhores, estamos passando por uma pequena tuerbulência, por favor, observem o aviso d...

SENHORAS E SENHORES AQUI É O PILOTO, ESTAMOS PERDENDO ALTITUDE RAPIDAMENTE! REZEM POR SUAS VIDAS! RÁPIDO, O PASSAGEIRO RESPONSÁVEL PELA SAÍDA DE EMERGÊNCIA! SALVE-NOS!

-O que?! Eu?! Meu Deus, não consigo! A porta es-gasp-tá emper-gasp-rada! UGHHHH!!!

-Vamos todos morrer!!! E a culpa é sua!!!

-NÃÃÃÃ)

-ÃÃÃÃÃOOOO!!!!

-Senhor! Por favor! Acalme-se!!

-Hã? O que?? Onde estou? Aqui é o inferno?!

-Bem senhor, pousamos em Congonhas... talvez alguns passageiros concordem com o senhor... mas, até onde eu sei, é só São Paulo...

 

Pedro Melo



Escrito por Marcelo e Pedro às 11h32
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Futebol, samba e simpatia.

 

O substantivo auto-estima é direta ou inversamente proporcional ao verbo comparar, já que essa ação sujeita o aumento ou diminuição da capacidade de se valorizar. A confiança e independência nos atos e julgamentos indicam satisfação e contentamento com o modo próprio de viver, sendo isso o resultado da ausência de comparações.

 

No entanto, na sociedade atual, as comparações surgem espontaneamente e, na maioria dos casos, de forma excessiva e maléfica, criando um ambiente de disputa. A partir disso, considerar o Brasil um lugar bom ou não para se viver é relativo a qual outro modo de vida estamos nos comparando.Tomando como base a África, vivemos excelentemente bem; trocando a base para Europa Ocidental, vivemos de modo regular a ruim.

 

O curioso é o que nos leva a compararmo-nos com o melhor, ou pior. Excluindo-se as características psicológicas pessoais – pessimismo ou otimismo – uma resposta procedente e plausível seria o nível de educação.

 

Analisando-se a auto-estima coletiva, já que fica complicado definir uma regra no âmbito pessoal, é certo que a camada mais intelectualizada da sociedade julga-a baixa, pois não vê representantes do país nos circuitos de grandes discussões artísticas, filosóficas ou políticas. Enquanto que o setor com níveis mais baixos de escolaridade – maior parcela da população brasileira – considera-a alta, pois acha que seus jogadores de futebol são os melhores do mundo, seus sambistas são os mais alegres e habilidosos e seus iguais são muito carismáticos e efetivos.

 

Em um país, onde a desigualdade social e a concentração fundiária são gigantescas, onde a violência e o analfabetismo são alarmantes, onde a corrupção coexiste pacificamente com a democracia e a submissão econômica perante aos desenvolvidos é uma postura incontestável, porém inaceitável, deveria ser unânime a existência de um povo infeliz, cético e pessimista. Contudo a precariedade do ensino, somada à comodidade geral da nação, alimenta ainda mais a corrupção (combustível indispensável às mazelas sociais), o que, no contexto global, enfraquece nossa soberania e nacionalismo.

 

De fato, no caso do Brasil, no qual convivem (ou apenas coexistem) culturas diversas, torna-se complexo padronizar essas relações de valorização coletiva. Talvez, a única exceção dessa regra seja a consciência de que somos e sempre seremos – graças a Deus - o país do futebol, do carnaval e da simpatia.  

 

Marcelo.



Escrito por Marcelo e Pedro às 17h08
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 Mulher não dá em árvore

Mulher não dá em árvore, pelo menos até onde eu sei. São pessoas, seres humanos, tão capazes quanto os homens, com a diferença de que são mais cheirosas e interessantes que os mesmos. Me pergunto então, por que a mídia tenta, todos os dias nos convencer do contrário?

Para onde olho, vejo a mulher tratada como objeto, como mais um utensílio doméstico. No fogão, cozinha-se, na pia, lava-se, no microondas, emitem-se ondas que movimentam as moléculas d'água, produzindo calor. Na mulher, satisfaz-se o desejo sexual. Mulher não pode ter barriga. Não pode ter celulite. Não pode ter espinhas. Não pode ter cabelo mal-penteado. Não pode ficar de mal-humor. Mulher não pode usar roupas largadas. Mulher não pode usar roupas velhas. Mulher não pode suar. Mulher não pode ter unhas sujas. E que Deus tenha piedade das que tem opinião. 

Do mesmo jeito que, quando vamos ao mercado, escolhemos as frutas mais "bonitas", menos marcadas, menos deformadas, quando escolhemos uma mulher, queremos as que se adaptem ao padrão de beleza "propaganda de cerveja". 

Mas os tempos estão mudando. A sociedade finalmente está deixando cair a máscara da hipocrisia. Antigamente, a mídia produzia "mulheres de consumo" mas tinha o cuidado de não deixar isso muito explícito. Hoje em dia, ninguém tem mais esse cuidado. E é aí que eu errei, e errei feio. Sempre achei que, uma vez que as pessoas percebecem a objetificação do sexo feminino, iriam, conseqüentemente, perceber o absurdo contido no mesmo. Estava errado. A sociedade brasileira conseguiu mais uma façanha, algo que eu considerava impossível: Mostrou-se mais burra do que eu pensava.

("Ah, mas esse cara está exagerando! Também não é todo mundo que é assim!" - Talvez caro leitor, talvez eu realmente esteja exagerando. Permita-me me retratar então. Não é a sociedade brasileira que é burra. É apenas um segmento. O segmento que engloba seus vizinhos, seus amigos, seu chefe, o chefe do seu chefe, o pai do chefe do seu chefe, o lixeiro, o seu dentista, o seu gerente de banco e os amigos e amigos dos amigos de todos estes. Todo o resto da sociedade está livre dessa burrice.)

A prova dessa nova era, onde a objetificação da mulher não precisa nem ser mascarada, foi personificada em uma pessoa. Uma garota alegre e extrovertida de 19 anos chamada Andressa Soares. Andressa Soares foi criada e educada pelos pais para que, como todos os pais desejam aos filhos, fosse o que quisesse ser. Andressa escolheu ser Mulher Melancia. Isso mesmo... Mulher Melancia. Devido ao derrière pomposo e seu envolvimento com o funk carioca, Andressa ganhou o "carinhoso" título.

Mas o absurdo não parou por aí, mulher com nome de fruta virou moda. Tem a Mulher Moranguinho, a Mulher Jaca, e muitas outras. É isso que é considerado sensual hoje em dia? Ver uma mulher semi-obesa balançar o rabo na frente das câmeras? Acho que sim. Afinal de contas, a revista Playboy está lançando sua segunda edição com a beldade. É isso que o público masculino quer ver no conteúdo do maior catálogo de mulheres-objeto do país? Parece que sim...

Agora, com licença, vou me masturbar olhando para um mamão na cozinha.

 

Pedro Melo

 



Escrito por Marcelo e Pedro às 16h41
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Aprecio no mais alto grau a resposta daquele jovem soldado, a quem Ciro perguntava quanto queria pelo cavalo com o qual acabara de ganhar uma corrida, e se o trocaria por um reino: “Seguramente não, senhor, e, no entanto eu o daria de bom grado se com isso obtivesse a amizade de um homem que eu considerasse digno de ser meu amigo”. E estava certo ao dizer se, pois se encontramos facilmente homens aptos a travar conosco relações superficiais, o mesmo não acontece quando procuramos uma intimidade sem reservas. Nesse caso, é preciso que tudo seja límpido e ofereça completa segurança.

                                                                                   Montaigne, “Da amizade” (adaptado).

 

    

COMPRA-SE UM AMIGO, VENDE-SE UM CÉREBRO.

 

Umas das conseqüências da capacidade racional da espécie humana é a intrínseca relação de amizade existente dentro desse grupo. Diferentemente dos outros seres vivos – que estabelecem entre si relações de convívio – o homem supera o superficial, através da necessidade extrema de se organizar em sociedades somada à mistura do sentimento e razão.

Toda essa soma resulta na amizade, que se baseia em uma troca entre indivíduos, complementando-os e, dessa forma, satisfazendo-os. Pelo fato de a amizade ser encontrada em um ser tão complexo, pode-se dividir seu funcionamento em, no mínimo, dois pólos antagônicos e completamentares: o particular e o coletivo.

O particular é fruto direto do comportamento social do homem (ou seja, simplesmente do medo da solidão) e consiste na busca de adicionar-nos algo que nos falte, ou que nos possa faltar. Dividir angústias ou tristezas com amigos é um exemplo claro de como usamos a amizade para satisfazer nossas faces mais individualistas.

O coletivo resulta da nossa característica de ser pensante e promove o lado mais solidário e racional (popularmente chamado de humano) das relações pessoais. A capacidade de ajudar os amigos, ou dividir bons momentos caracterizam uma doação total de um individuo ao outro, sendo essa a outra face da amizade.

Essa análise permite-nos compreender a extinção do amigo – na forma mais pura da palavra. O homem moderno, definidor da sociedade consumista difere-se do jovem soldado persa porque não valoriza uma forte ligação humana. O que ocorre é uma valorização do sentimento individualista (lado particular) em detrimento do sentimento coletivo. Em uma visão mais cruel – e não menos realista – a troca tona-se posse e o amigo produto.

A amizade particular e efêmera cresce aceleradamente e assemelha-se, gradualmente, às relações de convívio existentes entre as outras espécies. E isso é preocupante, já que uma das potencialidades humanas resultantes da capacidade de pensar começa a se esmorecer, o que pode significar o início da ´desracionalização´ humana.



Escrito por Marcelo e Pedro às 23h43
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Rompendo os Moldes

 

Intensificou-se, de maneira global, a procura de informações, métodos e alternativas relacionadas à intensa busca pela beleza física. A importância dada à aparência minimiza um antigo preconceito e atinge, também, o homem moderno e vaidoso, que ganha inclusive a nova classificação de metrosexual. E, ao mesmo tempo, implica em graves conseqüências sociais de naturezas distintas.

Não se pode negar que é comum adentrarmos nessa moda, na maioria dos casos, prazerosa e, até mesmo, saudável. A aliança entre o avanço na medicina e o desenvolvimento da tecnologia concilia qualidade de vida e melhorias estéticas.

No entanto, a busca da beleza do corpo é pré-estabelecida pela sociedade, que configura um padrão social de variações limitadas e estipula um modelo ideal de altura, peso e cor. A partir disso, constrói-se uma cultura que sobrepõe as virtudes e os valores humanos ao estereótipo, provocando a volatilidade e comercialização das relações afetivas, o que transforma o ser humano em um produto meramente descartável.

Os altos custos exigidos por essa cultura limitam-na, basicamente, às elites econômicas, e desenvolve-se nessa classe a supervalorização da beleza externa, contrapondo com os principais atrativos humanos: o pensar e o sentir. Essa característica evidencia a essência da futilidade nos setores dominantes - marca registrada da grande maioria do grupo -, e cada vez mais difundida entre os outros ‘níveis sociais´.

A despreocupação com a saúde humana é outro grave problema relacionado à constante procura do corpo perfeito, e que, normalmente, não é atribuída de forma direta a essa causa. Danos físicos ou mentais, gerados por uso indevido de anabolizantes, cirurgias plásticas desnecessárias ou até mesmo distúrbios psicológicos, como a anorexia, são resultantes da alienante ideologia de adequar-se ao moldes.

A necessidade de se “embelezar” deveria ser uma conseqüência da manutenção ou melhora da qualidade de vida junto com o prazer de se sentir bem e feliz, independentemente do estilo predominante, criador de produtos idênticos e sem conteúdo.

 

Marcelo.

 



Escrito por Marcelo e Pedro às 13h07
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O homem pré-histórico desenvolveu atividades como a caça, coleta – Paleolítico -, domesticação de animais e agricultura – Neolítico – que, mesmo primitivas, já constituíam formas de trabalho necessárias à sobrevivência. Esse mecanismo de manutenção da vida evoluiu junto com a humanidade, e já é possível dizer que essa invenção tenha superado seu criador.

As transformações sofridas pelo trabalho ao longo da história resultam de mudanças em todos os aspectos: econômicos, políticos, sociais, culturais e até mesmo religiosos. As idéias calvinistas, como propõe Max Weber em “A ética protestante e o espírito capitalista”, foram essenciais para definir as verdadeiras metas do trabalho nesse sistema atual, que podem ser resumidas, basicamente, na acumulação de riquezas.

A necessidade de enriquecimento torna, geralmente, essa atividade desinteressante porque a finalidade financeira suprime o prazer individual, provocando – comumente – a perda de sua função social. Essa última garante o desenvolvimento da sociedade e dá mais sentido ao individuo dentro dela. Cria-se, dessa forma, a noção de realização profissional – erroneamente associada, apenas, ao salário.

A falsa idéia de realização profissional estimula a ocorrência de disparidades entre as profissões e, a partir disso, surgem os preconceitos, as supervalorizações de alguns serviços e, como conseqüência disso tudo: a desigualdade social. Falta, portanto, à sociedade uma análise mais ampla da importância de qualquer forma de trabalho, independentemente do seu grau de qualificação. De início isso significa entender que as inevitáveis comparações, onde as oportunidades não surgem de maneiras eqüitativas, devem considerar, antes de tudo, as condições econômicas e as vontades particulares do individuo.

Nas histórias de ficção científica, teme-se que as criações se fortaleçam e superem seus criadores. Nas histórias de vida real, o trabalho já domina o homem, graças à padronizada idéia de satisfação profissional e sua relação direta com o lucro.

Assim, a visão diferenciada sobre os diversos conceitos e formas de trabalho ajudaria a rompermos as correntes que nos prendem e controlam, além disso, diluir-se-iam conceitos absurdos, freqüentes e aceitáveis de que médicos, gerentes de empreiteiras e advogados recebam mais mérito e renda do que enfermeiros, lixeiros e secretárias.

 

Marcelo.



Escrito por Marcelo e Pedro às 00h25
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Breves Memórias Anônimas

 

À medida que o vestibular se aproximava, o teor do seu questionamento político ficou prejudicado pelos excessos da vida pré-acadêmica, mas ainda restou:

 

Breves Memórias Anônimas

 

 

Absorto em pensamentos, vaguei entre minhas memórias.

 

 Não conseguia mais suportar aquela situação. Decidi contemplar a imponente mangueira, situada nos fundos da casa. Sempre agi daquela forma quando passava por grandes aflições. A magnitude daquele virtuoso vegetal parecia absorver todas as minhas angústias, da mesma forma como absorvia um gás vital à fotossíntese. Sentado por longos cinco minutos refleti sobre a vida de uma maneira saudosista, prazerosa, mas, no final, trágica e cruel. Levantei-me, rapidamente, pra evitar mais um balde frio de pensamentos negativos e me dirigi à garagem, tomado de uma grande certeza. Chegara a hora.

 

O velho Fiat 147, ano 1976, dava sinais, mesmo que contra suas forças, de que, assim como o dono, precisava de um descanso eterno. Só que ainda era preciso um último percurso. Na tentativa fracassada de ligar o carro, hesitou por breves momentos, pensando se aquele não era um sinal de aviso, como se o próprio carro, companheiro em muitas aventuras, num sinal de extremo esforço tentasse evitar o inevitável. Impossível. Enfim, respirou profundamente, e o ar combustível em seu pulmão ascendeu uma chama de confiança em seu espírito.

 

Deu a partida novamente, colocou o sinto de segurança – num ato inconsciente de que aquilo era realmente paradoxal – ligou o som e seguiu rumo ao fim. A música se encaixava como uma luva no contexto: trágica.

Permaneci calado durante todo o caminho, apenas ouvindo repetidas vezes a mesma música, a mesma, a mesma, a mesma... E assim seria, para todo o sempre, a mesma. Seria possível agüentar sempre a mesma?

 

A solidão percorria todos os cantos do carro. Tudo seria, em sua mente maníaca, solidão depois que seu dever estivesse cumprido. Ficou curioso e passou a imaginar as milhares maneiras de se fazer o esperado. Todas pareciam complicadas, angustiantes. Mas estava preparado, e não via a hora de acabar com todo aquele peso.Seria calculista, até nesse momento.Já havia adiado inúmeras vezes o destino comum dos homens – no literal sentido da palavra.

 

Externamente, me sentia bem. Sentia-me como se estivesse cumprindo o meu dever. Sim, era o momento certo, “parar quando se está no auge”, era isso afinal que se ouvia falar dos grandes figurões, dos luminares.No entanto, não podia deixar de me lembrar dos momentos de gloria – e que glórias -, e era aí que eu pensava em desistir, voltar atrás e seguir a vida a todo vapor.Definitivamente, havia sido um dos melhores da irreverente turma.Não.Havia sido o melhor, com absoluta certeza.

 

Os amigos sempre comentavam de seu lado autista, mas não compreendiam suas idéias. Havia espaços, lacunas entre sua mente, portanto, os pensamentos vagavam por ela, transformando-se em coisas novas a cada par de segundo. De maneira alguma, isso quer dizer que pensava rápido, ao contrário, seu pensamento era lento, muito lento, mas variava de maneira rápida, descartando idéias num momento, e considerando-as minutos depois.

 

Perfumes de todos os cheiros embriagavam-no gradualmente. Peles de todas as cores, idades e sabores: cheirava-as pausadamente. Batons e maquiagens de todas as marcas: degustava-os vorazmente. Roupas de todos os tamanhos: rasgava-as desdenhosamente. Cabelos de todas as formas: puxava-os agressivamente. E etc. e etc. e etc. Podia passar a eternidade relembrando seus momentos mais prazerosos. Mas, não havia tempo para a eternidade.

 

A distração foi tamanha que o fez errar o caminho. Outro sinal de que, talvez, não fosse a hora. Ignorou mais esse sinal, assim como ignoraria tudo ao seu redor. Estava predestinado. Seria o fim de uma parceria extremamente competente. A mente e o corpo, ambos atraentes, inerentes ao sucesso total do individuo, estavam prestes, de certa forma, a se separar. Ou pelo menos, uma parte da mente teria, brevemente, o mesmo fim que o ‘ancião veículo’.

 

A segunda distração foi de tempo suficiente pra retomar a direção certa e chegar.

Ao mesmo tempo, chegava ao fim e ao começo.

Desceu lentamente do carro e procurou-a, em meio a escuridão do parque. Sentou-se ao seu lado, no banco de pedra gelado e orvalhado, beijou-a na boca delicadamente, e suspirou. Suava frio e olhava fixo para o nada.

 

Ela hesitou por uns segundos, mas não se conteve. A aflição era extrema, e assim perguntou-lhe o que ele precisava, urgentemente, dize-la que não poderia ser mais adiado, nem mesmo por mais um nascer do sol – afinal, os sinos soavam três horas da manhã.

 

Fui seco e direto, da mesma forma como agia sempre que era necessário falar sobre meu íntimo. As palavras saíram ardidas, – concordo que até mesmo forçadas - rasgando a garganta, transformando o ato de falar em um transporte ativo de palavras em que o gasto de energia é estonteante:

 

- ...Quer...?

 

 

Marcelo.



Escrito por Marcelo e Pedro às 17h43
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A Epopéia de José Barbicha

Política não me interessa mais,

Agora faço poesia sobre animais:

 

A Epopéia de José Barbicha

 

Era uma vez um cabra macho, chamado José Barbicha

Todos, porém, o desrespeitavam, considerando-o uma bicha

José morava numa montanha pequena e confortável.

De sua casa, tinha uma vista admirável

Via o céu lá em cima, e a grama lá em baixo

Mais a frente, contemplava um grande riacho

Nosso amigo Barbicha, não morava sozinho

Dividia sua caverna com Torresmo, seu vizinho.

Torresmo era um porco grande, seboso e suado

Como todos na floresta, também achava José um viado.

Cansado dessa vida, José resolveu impor-lhes sua moral

Chegou no meio da selva, deu um grito e mostrou o pau!

Todos se assustaram, com o tamanho da “serpente”

Era tão grande, diziam uns, que tinha até dente!

Mas o Chipanzé Mané, um cara muito esperto

Viu que aquilo estava estranho, não parecia muito certo

Chegou então, de levinho, sorrateiramente,

E foi então que teve uma boa visão de José pela frente

Olhou e pôs-se a rir, e aos outros explicou:

“Aquilo não é dele não, foi o Jumento que emprestou”

José sentiu-se humilhado, e começou a chorar

Nisso, o Jumento Joca veio seu empréstimo cobrar

Barbicha então, o “objeto” devolveu

E, em direção ao riacho, o coitado correu

Chegando lá, então, teve uma surpresa,

Encontrou um casal, sentado numa mesa

Aproximou-se devagarinho e começou a conversar.

O homem, indignado, começou a gritar:

“Saí daqui bode nojento, senão te passo a faca,

Minha mulher está se assustando, com sua cara e essa sua pata!”

O cabrito, porém, contornou a situação,

Em uma hora de conversa, o homem já o considerava um irmão

Levou-o para a cidade, e José ficou encantado

Hospedou-se na casa do homem e sentiu-se lisonjeado

O homem o servia com comida e roupa lavada

E, quando saia, sua mulher com o bode, dava uma trepada.

O bode se acostumou com essa vida mansa

E até começou a criar certa esperança.

Sonhava com a fama e com a riqueza

E com rúcula e alface, todo dia em sua mesa.

Um dia, porém, o homem lhe disse calmamente:

“Sempre te ajudei, agora gostaria que fizesse algo por nossa gente”

O bode, que não era o Burro Bimba seu amigo,

Logo fez uma cara de quem ficou comovido,

E disse para o homem, com a voz toda melindrosa:

“Sente-se aqui, e me de uma prosa”

O homem então contou que havia feito coisa errada

E precisava do bode, para dar uma arrumada.

O bode, meio desconfiado, quis dar para trás

O homem, ameaçando-o, disse que já não podia mais.

Que, com ele tinha uma dívida, e que a ele ia pagar

Seria bode expiatório, e seu nome ia limpar!

José, muito esperto, não esperou nem um segundo

Deu um coice no rapaz, e saiu pelo mundo.

Caminhou tanto, mas tanto, que nem cabe na rima

E, vejam só, acabou chegando na China!

Lá, depois de um tempo, conheceu alguém especial,

Foi então que se apaixonou por um outro animal!

Animal, isso mesmo, no masculino!

O bode, como seu amigo Bambi, descobriu que gostava de menino!

O nome do animal era Flango Tisti, sempre deprimido.

Quando José se apresentou, logo virou seu amigo.

Flango Tisti, o frango chinês, embora sensível,

Realmente não era assim, tão suscetível.

Começou a bater as asas, e pôs-se a falar:

“Xai daqui xeu xem-vergonha, aqui não é xeu lugar!”

O bode, vendo aquilo, ficou muito assustado

E, dando um salto gracioso, saiu de lá muito apressado.

Continuou andando, até que viu,

Uma placa que dizia: Bem-vindo ao Brasil!

José achou interessante aquele país tão sedutor

Juntou dinheiro e comprou uma casa, que tinha até computador.

José Barbicha agora era homem de respeito

No Nordeste brasileiro, ninguém duvidava do sujeito

Se alguém olhava torto, dava logo uma surra

Quando se enfezava, era pior que Léo quando urra

Léo podia ser o chefe lá na savana

Mas se quisesse algo no Brasil, tinha que ter grana.

Falava com Dr. Barbicha, que queria sempre recompensa

Por que no Brasil, é só assim que o povo pensa.

Acalme-se leitor, que não é crítica social,

Só falei isso para apresentar o Detetive Bacalhau.

Bacalhau era sujeito forte, mas cabeça lhe faltava

E foi assim que José, escapuliu e ninguém mais o achava.



Escrito por Marcelo e Pedro às 15h46
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A Epopéia de José Barbicha Pt. II

José vendeu seu negócio e com o dinheiro conheceu uma turma

Acompanhou-os a Amsterdã e resolveu fumar uma

Acontece que essa turma, era meio da pesada

Faziam parte dela: o Abutre Punk, a Piranha e a Hiena Chapada.

Mas nosso amigo bode, gostava mesmo da Preguiça

Que logo o converteu, e convenceu-o à ir a missa.

Todo dinheiro que ganhou, José deu para a Igreja

E agora, coitado, passava uma peleja...

Largou então a Preguiça, e voltou a ser bandido,

Só que dessa vez, Detetive Bacalhau o havia seguido

Descobriu seu próximo paradeiro; E,

Rápido e sorrateiro, chegou lá primeiro.

Barbicha, alucinado, até tentou fugir,

Mas estava tão chapado, que nenhum coice pode desferir.

Como Bacalhau o algemou, permanece um mistério

Mas no final, Barbicha foi levado ao ministério!

Lá foi julgado e mal tratado...

Em duas semanas, já estava sentenciado.

O bode, porém, foi um esperto detento

Pediu seu telefonema, e ligou para o Jumento.

Joca, prontamente, se pôs a disposição

E, ao soar meia noite, lançou mão de seu pirocão.

Nosso bode o escalou, (até com muito gosto)

Mas, por falta de atenção, enrolou-o no pescoço!

José, agora, sufocando, se sentia em perigo

Mas teve sorte, pois contou com a destreza do amigo

Joca, mais que hábil, pensou na Kelly Key

E José, como mágica, saiu voando dali!

José voou longamente, até que pousou então.

Para sua surpresa, chegara em Plutão!

Não gostou muito do lugar, e, como um cavalo

Começou a cavalgar.

Chegar a Terra, não foi passo pequenino.

Pior foi escolher seu próximo destino!

Pensou no Japão onde o ... era rei

Mas então lembrou-se que lá não gostam de gay

Pensou então, em voltar para o Brasil

Mas o Bacalhau estava lá, puta-que-pariu!

José já estava velho, e sua barbicha era comprida

Resolveu correr atrás da criançada, e se meteu numa briga

Deflorou o filho do Seu Urso,

Fingindo que era emo, se passou por “miguxo”.

Seu Urso, quando descobriu, ficou muito atacado

José muito chorou, por ter-lhe uma pata arrancado!

Agora, além de pobre, Barbicha estava manco,

Foi quando teve a idéia de assaltar um banco!

Chamou o Chipanzé Mané para ser o seu parceiro

Mas esse não aceitou: agora era dono de um puteiro.

José achou interessante o trabalho de Mané

Chegou botando banca e dominou-o com um pontapé.

O macaco, assustado, fugiu, mas jurou vingança

José, a essa altura, já tinha uma bela pança.

Pensando nisso, Mané bolou um plano

Colocou na salada um veneno africano.

José, morrendo de fome, comeu sem suspeitar,

Foi o maior erro que cometeu, aquela salada degustar.

Estribuxou, gemeu, chiou,

“Chamem o Dr. Cavalo rápido” Ele gritou

Dr. Cavalo veio trotando, mas chegou sem tempo

Já não podia mais ajudar o ex-detento.

José, aquele bode bixa teve então uma idéia,

Para celebrar sua morte, convocaria grande platéia!

Chamou a Piranha, a Hiena, o Jumento e a Preguiça,

Contou até com a presença de seu vizinho chovinista.

José, sentiu-se feliz, por incrível que pareça,

Reconheceu todos os amigos, que guardava na cabeça.

Com um último gemido, pediu a todos que se reunissem,

Que ficassem calados, prestassem atenção, apenas ouvissem!

“Essa minha história, foi um tanto sem nexo, reconheço

Mas a verdade, é que isso, foi apenas um pretexto

Vou revelar-lhes um segredo, maior que Juca e sua lingüiça!

Corra que você ainda escuta a história, Dona Preguiça!

Existem dois animais, que estão para serem extintos,

A espécie deles é mais estranha que o Ornitorrinco.

Ela tem descendência lá do reino do ...,

Ele, se contradiz, e é cheio de lero-lero.

Como o leitor já deve desconfiar, revelarei de quem eu falo:

É lógico que é da ... e do ... caralho!”

Falando isso então, deu seu último suspiro José Barbicha,

Olhou para o Coveiro Abutre e disse: “Capricha!”

Virou para o lado, fechou os olhos e parou de respirar

Os outros animais entenderam: Era hora de se retirar!

Dona Preguiça ainda demorou mais uma hora,

Não por que estivesse comovida, mas por que sempre demora!

O leitor deve estar pensando: “Perdi 20 minutos de minha vida!

Que raiva ter começado a ler isso, e ter deixado uma tarefa interrompida!”

Para este, sabe o que eu digo?

Azar o seu que resolveu ler, meu amigo!

 

Pedro Melo



Escrito por Marcelo e Pedro às 15h45
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Blog parado, sem movimento... tudo bem... nossa vida ta uma correria... a minha tá mais tranquila agora que rasparam meu cabelo... mas o Marcelo coitado, tá estudando que nem louco...

Bom, pra movimentar um pouco (sem cobrar imposto sobre isso) escrevi:

Sobre a CPMF

Está ocorrendo agora, nesse instante, nesse segundinho, um evento que tomou conta dos maiores meios de comunicação por meses. A votação sobre a prorrogação do CPMF. O CPMF, para quem não sabe, é um imposto cobrado a cada transição bancária, ou seja, cada movimentação feita na conta engorda um pouquinho o CPMF. O que nunca foi discutido é o valor desse imposto. Ínfimo. Não faz a menor diferença para mim, para você, para o cidadão mais pobre que possua uma conta bancária.  O que ninguém diz sobre essa votação, é que ela está sendo utilizada como ferramenta de pressão no jogo dos partidos. O PMDB não está nem aí pra a quantidade de impostos que nós pagamos... o PT está pouco se lixando para a situação da saúde pública (à exemplo, a precária situação dos postos de pronto socorro no Rio de Janeiro).  O interessante sobre essa votação é o seguinte: Quando nosso amigo Renan Calheiros, do Escândalo de Renangate, foi absolvido em TODOS os processos pelo STF, ninguém deu bola, aconteceu, acabou, e, em um dia, já foi esquecido. Agora, o alarde da CPFM perdura até hoje...

Não dou a mínima se pago 0,38% por transação bancária, contanto que esse 0,38% realmente seja destinado a saúde. E isso, eu duvido...

Abraços,

Pedro Melo

 



Escrito por Marcelo e Pedro às 01h20
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"Margareth Lee Rimbeuk"

Autor: Margareth Lee Rimbeuk

Buscar na Web "Margareth Lee Rimbeuk"

"A felicidade não é uma estação onde chegamos, mas uma maneira de viajar."



Categoria: Citação
Escrito por Marcelo e Pedro às 19h16
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Já faz um tempo que não escrevo algo por aqui, e como o Pedro disse, estamos passando por um período difícil, já que o ano vai acabando e os Vestibulares vão chegando. Pra quem já passou por isso, deve saber como é estressante e cansativo, e pra quem ainda não passou, desejo muita sorte, paciência e tranqüilidade.

 

Agora voltando ao que interessa o assunto do texto de hoje é felicidade. Na verdade, essa foi a mais nova proposta de redação que tivemos que fazer no colégio. A proposta não era tão séria, e deveria ser em forma de um artigo de opinião, como esses que aparecem em jornais. Como não consigo achar tempo pra iniciar meu texto sobre a legalização das drogas (um tema muito “picante”), decidi “publicar” aqui a minha singela opinião sobre conceitos, e concepções de felicidade.

 

Mais uma sobre felicidade...

 

Um amigo meu costuma dizer que a felicidade não existe, justamente porque não conseguimos alcançá-la de forma plena. Essa afirmação impactante (como aquela sobre o amor...) me fez surgir uma dúvida: quer dizer que ele não é, ou nunca se sentiu feliz?

 

Ainda não tive a oportunidade de perguntá-lo, mas, definitivamente, acho que isso seria um absurdo. Primeiro porque se pensarmos de tal maneira, o ceticismo é tanto, que não consigo imaginar como se consegue achar prazer em viver. E acho que o fato de pensarmos que nada que é abstrato existe, como o amor, a felicidade, a amizade, a saudade e etc., não nos leva a lugar nenhum, e não condiz com a realidade do mundo.

 

Não só acredito como posso confirmar que a felicidade existe. No entanto isso depende de como definimos essa sensação. E a definição mais sensata que encontro para essa palavra, resume-se em um estado de espírito momentâneo e gratificante, em que estão misturados elementos individuais e coletivos harmonicamente.

 

Ou seja, apesar de toda a individualidade nela presente, já que varia de acordo com valores, virtudes e aspirações, existe um padrão mínimo e comum. Sendo mais claro, é obvio que ninguém consegue “estar” plenamente feliz se nada ao redor encontra-se minimamente bem.

 

O fato é que a felicidade é efêmera. Ela é passageira e não dura para sempre. E se, talvez, você conheça alguém que se considera feliz, ou até mesmo, se você se considera feliz, isso é porque existem vários momentos em que você se sente assim.Complicou?Então faça assim: nunca pense que você é feliz, e sim que você está feliz.O verbo ser, portanto, não deveria ser empregado junto com esse substantivo abstrato.

 

Talvez, a efemeridade da felicidade leve as pessoas a acreditarem que ela não existe. Mas é diferente. Só porque ela não dura pra sempre, não quer dizer que ela não exista. E ela não dura pra sempre devido à natureza humana. Somando-se a natureza humana à nova era por qual estamos passando, de modernidade, de velocidade, de rapidez das relações sociais, é inevitável o mal-humor, o estresse e vários outros sentimentos que acabam por diminuir ou afastar a nossa felicidade.

 

Pra quem não entendeu nada do que eu disse até aqui, é o seguinte: Ninguém pode estar constantemente feliz, porque não faz parte das características do ser humano. A felicidade é um sentimento que "não se mistura” com outros e, portanto, às vezes ela acaba escapando das nossas “mãos”. Mas, o fato dela não ser uma constante, não podemos dizer que ela não existe. Ok?

 

Marcelo Buosi

 



Escrito por Marcelo e Pedro às 19h11
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Amnésia

Assisti a um filme, há um bom tempo atrás, chamado Amnésia... Nele, Leonard, o personagem principal, leva uma pancada na cabeça ao tentar evitar o assassinato de sua mulher, e, com isso, perde a capacidade de armazenar na memória permanente fatos da memória recente. Ou seja, a cada dez minutos, ou algo do tipo, o personagem esquece o que aconteceu. Por causa de sua condição, Leonard acaba sendo facilmente manipulado durante o filme, e com isso, acaba cometendo uma injustiça. Ótimo filme...

Enfim, dizem que nós, brasileiros, temos memória curta.Eu concordo.

Vamos fazer o teste?

Quem foi:

Roberto Jefferson?

Lalau?

Suzane von Richthofen?

Celso Pita?

Pedro Melo



Escrito por Marcelo e Pedro às 17h21
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"O amor, tal como existe na sociedade, não passa da troca de duas fantasias e do contato de duas epidermes."

Autor: Sébastien-Roch Chamfort

Buscar na Web "Sébastien-Roch Chamfort"



Categoria: Citação
Escrito por Marcelo e Pedro às 23h08
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